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A Lealdade é a pedra angular que sustenta o templo invisível

Do Venerável Mestre – Hoje eu falo com vocês não apenas como Venerável, mas como guardião de algo muito mais profundo que o Rito ou as palavras do ritual. Eu falo como alguém que sente a Loja pulsar viva, porque ela pulsa, sim, e sente quando o que foi consagrado com silêncio começa a ser desgastado por conversas soltas, por línguas que não respeitam o que foi confiado ao sigilo da Oficina.

A Maçonaria não é um clube de reunião. É uma Ordem. E a Loja, meus Irmãos, é um espaço sagrado, onde cada palavra, cada gesto e cada silêncio carrega um valor ritual e moral. Tudo o que é falado aqui dentro deve permanecer aqui. Simples assim. Não se trata de segredo por vaidade. Trata-se de lealdade.

Lealdade não é apenas não trair. Lealdade é proteger. É guardar com zelo o que foi partilhado entre Irmãos. É saber que se um assunto foi tratado na Coluna do Norte, com olhos nos olhos, ele pertence àquela atmosfera, àquela energia, àquela hora.

E vou além, não é só com os de fora, os profanos, que temos que cuidar. É com os de outras Lojas também. Porque, por mais que sejamos todos Maçons, cada Loja tem sua Egrégora, sua intimidade, sua alma própria. E o que se vive e se decide aqui, não deve ser espalhado por aí como se fosse conversa de corredor.

Quando um Irmão começa a falar sobre outro fora da Loja, ainda mais com gente de outra Oficina, ele não está apenas sendo imprudente, está quebrando um pacto invisível de confiança. E o que é pior: ele está abrindo portas para a desordem, para a maledicência, para o caos emocional. E isso, meus Irmãos, é um veneno lento, que contamina o cimento da nossa Obra.

E não se iludam: aquilo que é dito fora, por mais que pareça ter sido em segredo, volta. Sempre volta. E muitas vezes, volta distorcido, aumentado, jogado ao vento como semente de discórdia. A pessoa que foi alvo da conversa fica sabendo. E mesmo que não haja confronto, a energia muda. O olhar muda. A confiança se parte. E aquilo que era sólido se enfraquece.

Porque alguém quis parecer sábio fora da hora. Ou quis se desabafar com quem não devia. Ou ainda, quis se aliar com o ego e não com a fraternidade.

E aqui eu preciso ser claro, sem rodeios: o Irmão que age assim, falando mal de outro, espalhando assuntos da Loja, jogando conversas fora com quem não pertence àquele contexto, mostra, com atitudes, que ainda não entendeu o que é ser Maçom. Mostra que ainda não está pronto para avançar, que precisa voltar aos primeiros degraus, reestudar as lições, refazer o silêncio, amadurecer por dentro. Porque o progresso em Loja não é dado por tempo, nem por número de sessões: ele vem do grau de consciência, da ética do coração, da firmeza do caráter.

O que muitos não entendem é que a Egrégora da Loja é viva e tem olhos. Ela percebe tudo. E quando alguém tenta dividir o Corpo da Loja com palavras impróprias, ela age. Às vezes de forma sutil, outras com força. Mas ela protege. Principalmente os que foram colocados em postos de responsabilidade. Venerável, 1º e 2º Vigilantes, Orador, Secretário… todos estão sob o manto dessa proteção invisível. E não é porque são melhores. É porque são Guardiões. E quem toca neles com leviandade, está tocando na própria vibração do Templo.

Também é bom lembrar que há lealdade entre os Veneráveis, entre os Mestres de Lojas diferentes, entre os que sustentam a Ordem nas suas bases mais sérias. Há um pacto silencioso de integridade entre aqueles que sabem o peso de um mal-entendido, o estrago de uma intriga, o veneno de uma fofoca. E é por isso que, cedo ou tarde, o que foi falado escondido chega a quem foi ferido, e mais do que isso, chega também ao conhecimento de quem tem olhos para ver além das palavras.

Então, meus Irmãos, cuidem do verbo. Cuidem da intenção. Cuidem uns dos outros com respeito. Corrijam-se sim, se for preciso, mas olhando nos olhos, dentro da Loja, com fraternidade e coragem. Nunca pelas costas. Nunca com estranhos. Nunca fora do Templo.

Porque a Maçonaria se mantém de pé pelo que é dito com verdade e, principalmente, pelo que é silenciado com honra.

Lealdade, meus Irmãos, é a pedra angular que sustenta o Templo Invisível. Sem ela, o que sobra são ruínas com colunas de vaidade.

E nós não fomos chamados para viver em ruínas. Fomos chamados para edificar.

Lembrem-se que seguiremos em frente, a favor do vento Ou contra todos eles!!!

 

Um texto do Venerável Mestre

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